No Maranhão, o discurso fundamentalista de Mical Damasceno desarma qualquer debate político mas é a realidade por trás dos bastidores que escancara a hipocrisia. Enquanto posa de paladina da direita e faz discursos inflamados defendendo valores conservadores, a deputada opera como peça fundamental dentro da máquina do governo de Carlos Brandão, que é aliado claro do projeto político de Lula em âmbito federal. 
*Bolsonarista de discurso, lulista na prática* Na tribuna, Mical ecoa frases de efeito contra “o sistema”, mas na prática abre portas da estrutura governamental para seus familiares e aliados, dominando cargos estratégicos na saúde pública de Viana: sobrinhas em cargos-chave, marido de uma delas no comando clínico e até empresa de serviços de imagem ligada à família colaborando com o hospital tudo num movimentado espetáculo de poder familiar e política de compadrio. 
*O governo Brandão e a Máquina do Estado* Apesar de criticar nomes como o vice-governador, Mical tem agido com lealdade explícita a Brandão, pedindo publicamente que ele permaneça até o fim do mandato porque sua saída poderia “abrir brechas” e ameaçar o círculo político que sustenta seu projeto. Essa ligação pragmática com a gestão estadual que essencialmente opera sob a mesma lógica política que apoia Lula desmonta qualquer pretensão de ser “anti-sistema”. 
*O ciclo do poder pessoal camuflado de serviço público*
O que se desenha em Viana é uma república familiar disfarçada de hospital público: cargos públicos, contratos e funções técnicas entregues a pessoas da própria família ou de sua estreita rede de aliados. Isso, num cenário onde o discurso moralista contrasta fortemente com a prática de uso político da máquina.
*Contradição em carne viva*
É essa contradição: a de bolsonarista raivosa que depende de governos aliados ao PT e Lula para manter seu poder local que deixa a política do Maranhão à beira de uma ironia ácida: líderes que gritam contra quem chamam de “esquerdistas” se beneficiam diretamente das estruturas que, no plano nacional, são tocadas por Lula e seus aliados políticos locais, como Brandão.





















